sexta-feira, 30 de março de 2012

Em expansão, setor da Construção Civil segue aquecido


Até 2014, a previsão é que os investimentos no setor sejam de R$ 1 trilhão em todo o País.

Júlio Mendes

Um setor que trabalha a todo vapor. Esta é a realidade da Construção Civil em todo o Brasil. Em Mato Grosso do Sul, o segmento da indústria da construção segue promissor. De acordo com dados divulgados pela Fiems, o Estado conta atualmente com 2.065 indústrias, gerando empregos para mais de 33,5 mil trabalhadores.

Em âmbito nacional, segundo Sondagem Indústria da Construção, feita em fevereiro deste ano pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), o primeiro semestre de 2012 promete ser de muita produtividade, principalmente por causa das obras e lançamentos de novos empreendimentos.

Segundo o presidente do Sinduscon-MS (Sindicato Intermunicipal da Indústria da Construção), Amarildo Miranda Melo, a expectativa para este ano é que o crescimento seja, no mínimo, igual ao do ano passado, mantendo o otimismo. “Em 2010, o setor cresceu 11%. Em 2011, 4,8%. E neste ano, a tendência é seguir o exemplo do ano passado, tendo um crescimento de aproximadamente 5%”, afirma.

Melo ressalta que o governo (municipal, estadual e federal), vem investindo na área. “Até 2014, os investimentos serão de quase R$ 1 trilhão. Essa é a estimativa, e isso acontece por muitos fatores, mas principalmente porque o País precisa crescer de forma ordenada, precisa fazer obras, visando o crescimento. Ou seja, a expectativa é que o setor continue crescendo fortemente”. 

De 2007 para cá, muita coisa mudou na indústria da construção. O setor se desenvolveu. E com base nisso, muitas empresas surgiram, como a Vanguard Home, do grupo Plaenge. Com 5 anos de existência, ela cresceu consideravelmente, por conta do chamado “boom” da construção civil. Em 2008, a empresa tinha 689 funcionários. Atualmente, conta com cerca de 1.300, um crescimento de aproximadamente 89%.

O gerente de engenharia da empresa, Marcelo Kenchikoski, explica que a construção civil é um setor que não cresceu apenas em Mato Grosso do Sul, mas também no Brasil inteiro. “Existia um déficit habitacional muito grande e os recursos começaram a ficar disponíveis com juros menores”, explica.

A melhoria na renda do brasileiro foi um dos fatores que colaborou para a expansão do setor. “Por exemplo, um jovem casal. Antes, eles se casavam e alugavam algo pensando em comprar no futuro. Hoje, se tiverem um recurso, é mais fácil casar já pensando em comprar ao invés de alugar. É feita uma entrada e o valor que seria destinado ao aluguel é pago numa prestação, num financiamento”, salienta o gerente.

Muitos trabalhadores que não eram ligados à Construção Civil aproveitaram esse ritmo de crescimento e também ingressaram no ramo. E, na hora da contratação, não há distinção de sexos, o que faz quebrar os tabus de quem pensa que obra só é lugar de macho. “Elas são mais caprichosas e detalhistas, o que gera um bom resultado final”, diz Kenchikoski sobre o trabalho das mulheres, que cada vez mais, vêm se destacando neste ramo.

Mulheres nas obras

A força feminina em obras cresceu nos últimos 2 anos. De acordo com levantamento do Radar Industrial da Fiems, baseado nos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado no começo deste mês (março), o número de mulheres que trabalham em indústrias já representa 25,5% do total, com 30.586 mulheres atuando nas 9.884 empresas instaladas em Mato Grosso do Sul.

Só na Construção Civil, existem atualmente 2.655 trabalhadoras, sendo este o 3º setor que mais emprega mulheres em Mato Grosso do Sul. Hoje, é mais fácil encontrar mulheres, que tiram deste setor o sustento da casa e da família. Isto é fruto de uma mudança de conceitos, já que, antes, as mulheres ficavam responsáveis apenas pela limpeza, ao contrário dos dias atuais, onde já é possível ver com facilidade muitas delas trabalhando com acabamento, pintura, cerâmica, assentamento de piso e azulejo.

A boa aceitação do sexo feminino trabalhando em obras fez com que Regina do Nascimento Nunes, 46 anos, ingressasse há 1 ano e 6 meses neste ramo. “Estava desempregada e aí surgiu a oportunidade”. Inicialmente, Regina pensava que iria ser copeira, já que nunca havia trabalhado em construção. “Mas quando eu cheguei lá me falaram que o serviço seria de limpeza no prédio”. Depois de alguns meses, passou a fazer acabamento de piso. Em seguida, passou a ser coordenadora de limpeza e, hoje, é encarregada de serviços gerais.

Para Regina, trabalhar em uma obra é uma experiência muito interessante. “Todo dia você aprende coisas novas”. Ela afirma que não sofre nenhum tipo de preconceito pelo fato de ser mulher e trabalhar em um setor “predominantemente” masculino. “Pelo contrário, o pessoal fica até admirado, uns dizem ‘nossa, você trabalha em construção civil, o que você faz lá?’, aí eu conto o que eu faço”. Com o salário que ganha, Regina reitera que conseguiu até comprar um carro.

Terezinha de Jesus, 47 anos, também é um exemplo da força feminina nas construções. Há 1 ano trabalhando em obras, ela diz que se sente realizada profissionalmente. “Gosto de pegar no pesado”, ressalta. Antes de trabalhar em construção civil, Terezinha tinha um salão de beleza, algo bem distante do barulhão que as máquinas fazem no canteiro de obras.

“Comecei fazendo faxina e serviços gerais, mas faço de tudo um pouco, já passei pelo almoxarifado, ajudo no administrativo, e agora me deram a oportunidade de fazer um teste para ser encarregada. Os meninos do meu setor falam que estou me saindo bem”, diz Terezinha, animada e orgulhosa de seu emprego.

Ela faz questão de salientar que, atualmente, não se vê em outro emprego. “As vezes eu até brinco, dizendo que meu pai deveria me ter feito macho, porque eu sempre gostei desses serviços. Quando eu entrei me identifiquei demais”. Mas nem por isso Terezinha se esqueceu da vaidade. Antes de ir ao serviço, faz questão de usar maquiagem, passar batom e apresentar unhas bem feitas. “Sempre mexi com a área da beleza, gosto muito disso também. Não saio de casa sem me arrumar”.

Porém, não é apenas de serviço pesado que o setor da construção precisa. Para que qualquer tipo de indústria cresça, é necessário um time de profissionais que trabalhem na administração. E é esta a função de outra Terezinha, a Terezinha Maria, 40 anos. Trabalhando há 4 anos no ramo, ela afirma que no começo era ruim, pelo fato de, na época, ser uma das poucas mulheres do setor. “Agora não, tenho um monte de parceiras por aí, esparramadas pelas obras, tem um monte de ‘peoas’ por aí, olha só que beleza, não estou mais sozinha”, afirma, soltando uma boa gargalhada.

Importância da qualificação

Na busca de um emprego, a qualificação é fundamental para a conquista da vaga. Existem instituições em Mato Grosso do Sul que trabalham neste sentido, levando formação profissional para os que estão à procura de uma boa colocação no mercado de trabalho. Um exemplo é o Senai, que trabalha com qualificação destinada a vários setores da indústria, como o de têxtil e vestuário, alimentação e bebidas, eletroeletrônica, dentre outros, não se esquecendo, é claro, da Construção Civil.

O diretor regional do Senai, Jesner Escandolhero, explica que a indústria de construção vive um momento onde precisa-se de muitos profissionais e, acima de tudo, com qualificação. “Buscamos levar qualificação, também, nos bairros e isso tem se mostrado um sucesso. Pela cidade, é possível ver muitos canteiros de obras. Muitas pessoas estão à procura de emprego e, na Construção Civil, há muitas vagas”, afirma.

Apesar de ainda haver uma dificuldade de entendimento do quanto o setor da construção pode ser uma boa oportunidade e que isso pode ser sinônimo de boa remuneração, Escandolhero conta que, aos poucos, a população vem se identificando com as ofertas deste segmento. “Hoje, um pedreiro pode ganhar bem e depois pode subir de cargo, se tornando um mestre de obras. Os cursos estão à disposição, gratuitamente".

Não é de hoje que o Senai possui tradição em qualificação de mão-de-obra. O mestre de obras Onivaldo Alves Ventura, 57 anos, que trabalha há 40 anos no setor, fez o curso de mestre de obras, pelo Senai, em 1975, “um dos melhores cursos nessa área aqui em Mato Grosso do Sul”, conforme destaca Ventura.

Com bastante experiência, o mestre de obras ressalta a importância da Construção Civil em sua vida. “Tudo o que eu tenho eu consegui trabalhando com isso. É uma profissão muito gratificante”. Por conta do otimismo que o setor vivencia, Ventura, que sempre trabalhou no Estado, diz estar preparado para a grande quantidade de serviços que vem pela frente. “Creio que dentro de uns 3 ou 4 anos, terá muito trabalho pra gente. Antigamente eu até saía de Campo Grande pra procurar serviço, hoje em dia eu fico aqui mesmo, serviço é o que não falta”, conclui.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Ação Fiems : cursos gratuitos promovem educação e valorização


Este ano capacitação já formou mais de 400 pessoas para o mercado de trabalho

Caroliny Anache

Curso de informática básica realizado no Bairro Coophavila II
Integrar, qualificar e garantir a oportunidade da inclusão social são ações que fazem a diferença em uma sociedade. Em Campo Grande, o Programa Ação Fiems capacita e leva conhecimento à população que não tem condições de pagar um curso de qualificação profissional. Além de oferecer cursos gratuitos em diversas áreas do setor industrial, o programa proporciona uma melhor demanda de profissionais para atuarem no mercado de trabalho, diminuindo o nível de desemprego.

“Hoje em dia as empresas pedem alguma profissionalização e estes cursos nos dão o direito de aprender, para nós que não temos condições porque o salário não ajuda, é ótimo”, conta o porteiro Antônio Leonildo que cursa informática básica pelo Sesi.

O coordenador do programa, Artur Quintella, afirma que nem todas as pessoas teriam condições de se deslocarem até o centro da cidade, muitas vezes pela rotina do dia-a-dia. “Estamos levando toda a experiência e estrutura do Senai e Sesi aos bairros, para dar oportunidade as pessoas cursarem e melhorarem suas vidas”, comenta. Ao todo são 77 bairros beneficiados, de todas as regiões de Campo Grande.

A reposta desta ação vem com o reconhecimento da comunidade. “É uma ótima oportunidade para melhorar de profissão, hoje em dia tudo é informática, se eu não me informatizar não mudo de área”, enfatiza Maria Luciene de Almeida que faz o curso de informática básica.

“É bom para aprendizagem e para incluir no meu curriculum”, conta Damázia Salazar Chamorro, que concluiu o curso de costura industrial e está terminando o de informática básica. “Eu trabalho como operadora de caixa e acho muito difícil crescer”.

Além de capacitar as pessoas que querem entrar para o mercado de trabalho, os cursos também ajudam àqueles que já estão empregados e almejam mais conhecimento para colocar em prática no cotidiano.

É o caso da aluna de informática básica que comemora ao dizer que já aprendeu a acessar a internet, a desenhar gráficos, fazer tabelas de preços e listas de compra e venda. “Eu trabalho em uma farmácia e não sabia nem ligar o computador, agora sei muito mais coisas”, comemora dona Cléria Maria Tibúrcio.

Evero Antônio é professor de informática do bairro Coophavila II e se surpreendeu com a quantidade da procura dos alunos. “Eu tenho turmas das 8h até as 21h, dou aula para mais de 100 alunos e às vezes batem na porta para pedir informações sobre o início dos próximos cursos”. 

Dentro da programação do curso de informática com carga horária de 40 horas, também são disponibilizadas 4 horas para o aluno aprender a administrar o dinheiro corretamente.

Mas o Ação Fiems não se resume com o término dos cursos, os concluintes além de terem atendimentos odontológicos gratuitos, cáculos de IMC (Índice de massa Corpórea) e aferição de pressão oferecidos pelo Sesi, também são encaminhados para as indústrias. “Nós entregamos o certificado e levamos até os RH’s para entrevistas. Também qualificamos e apoiamos profissionais que procuram caminho próprio, como autônomos e empreendedores”, diz Quintella.

Em janeiro e fevereiro deste ano, na capital, mais de 400 pessoas já foram qualificadas para o mercado de trabalho e durante todo o ano serão oferecidas em média 5 mil vagas dentre os 20 cursos do Senai e Sesi, como o de costura industrial, de modelagem, operador de máquina de corte, carpinteiro, pintor, eletricista predial, mecânica de manutenção de motocicletas, mecânica de motores de automóveis, padeiro, informática básica e avançada, entre outros.

Segundo o coordenador do programa, estas ações agregam valor aos setores industriais de Campo Grande, pois formam profissionais nas áreas onde realmente há demanda. “Os cursos de costureira industrial, da construção civil e da área automotiva, por exemplo, foram frutos dos estudos que fazemos sobre as necessidades das indústrias por mão-de-obra”, conta.